Jovens faturam com chás da China

19 de setembro de 2014
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SÃO PAULO – O empresário João Campos tinha acabado de se formar na faculdade quando resolveu ir para a China, trabalhar em um pequeno restaurante. Economista de formação, Campos ficou encantado com a cultura chinesa e, principalmente, com os chás.

Ele conta que o dono do restaurante chinês resolveu fazer uma carta de chás para o estabelecimento e ele começou a pesquisar sobre o produto. Fez duas viagens para Suchou e Hangzhou, cidades próximas de Xangai, e se apaixonou pelo universo do chá chinês.

“Eu não sabia nada de chá, mas sempre gostei de produtos que têm essa complexidade como o vinho, chocolate e café. Foi quando eu tive um estalo, ninguém sabe dessas coisas no Brasil. Comecei a pesquisar mais e fiquei fascinado tanto pelo aspecto sensorial do chá quanto pela parte histórica e cultural”, explica Campos.

Na volta ao Brasil, procurou o amigo Caio Barbosa, também economista, para abrir a Chá Yê! em 2011. Depois de muito estudo, começaram a vender os produtos chineses no final de 2012. “A gente não sabia nada de chá no começo. Tivemos que aprender e passamos um tempo na China”, conta Campos. Investiram cerca de 100 mil reais em chás e começaram a modelar o plano de negócio.

Hoje, a Chá Yê! oferece oito tipos de chás: verdes, brancos, amarelos, pretos, pu’ers, aromatizados, oolongs e displays. Eles são separados pelas linhas premium e limitadas. Além disso, no site há disponíveis utensílios como bules, copos, infusores, kits de porcelana para servir a bebida, entre outros. Os produtos podem ser comprados por meio da loja virtual ou encontrados em estabelecimentos parceiros da marca.

Em São Paulo, casas como Espaço Kazu, Casa Café e Frida & Mina são alguns estabelecimentos com produtos da empresa. “A gente tem uma relação comercial que vai além porque o chá ainda não é um produto que se vende sozinho. Por isso, a gente faz degustações e treina a equipe do lugar”, explica Campos.

Ele explica que em termos de receita, os utensílios são os que dão mais retorno. Em média, o site recebe de cinco a oito pedidos por dia. O faturamento do ano passado foi de aproximadamente 200 mil reais. Para esse ano, a expectativa é de aumentar o valor em 10% a 20%.

Todo ano, os empreendedores passam a primavera na China visitando os produtores locais para importar os produtos. Por viagem, eles visitam em torno de 20 produtores, de vários portes. A ideia é acompanhar de perto a qualidade do produto ao conhecer pessoalmente os fornecedores e os locais em que os chás são plantados. “Todo ano a gente faz um trabalho de prospecção com novos mestres e não lidamos com intermediários”, explica Campos.

Os traços ocidentais dos empreendedores não são barreira para se comunicarem com os agricultores. “Eu falo mandarim e eles são receptivos quando veem que dois brasileiros estão muito interessados nos produtos deles”, conta Campos.

Para o ano que vem, os empreendedores estão trabalhando em um tour pelo leste da China para quem deseja conhecer mais sobre a produção de chás verdes, oolongs e pretos. O formato ainda não está fechado, mas a ideia é que o passeio tenha uma duração de 10 dias e proporcione uma imersão pela cultura chinesa e do chá.

Fonte: Exame

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