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Até o fim do ano, metade dos empreendedores do país estarão formalizados

18-10-2017

Entre os anos de 2007 e 2016, o número de empresas optantes do Simples no Brasil passou de 2,5 milhões para 11,6 milhões, ou seja, uma média de crescimento de quase um milhão de pequenos negócios por ano. De acordo com estudo do Sebrae, a proporção de donos de negócios não formalizados em relação aos formalizados tem diminuído ano a ano, desde que o Simples Nacional foi implantado.

Em dezembro de 2007, o Brasil possuía 22,7 milhões de donos de negócios, mas só 11% (2,5 milhões) tinham um negócio formal. Até o final deste ano, o número de empreendedores formalizados corresponderá a 50% dos 26,1 milhões de donos de negócios, e até 2022, esse número irá saltar para 63% de um universo de 28 milhões.

O presidente do SebraeGuilherme Afif Domingos, explica que a criação do Simples Nacional, que completou dez anos em julho, foi fator essencial para o aumento do empreendedorismo no Brasil. “A desburocratização e a redução da carga tributária estimularam a formalização de empreendimentos que já existiam e fez com o que brasileiro pudesse tornar realidade o sonho de ser dono do seu próprio negócio”, ressalta.

Além disso, o aumento de formalizações gera um impacto direto nos cofres públicos. A participação do Simples Nacional na arrecadação total dos tributos federais quase que dobrou no período de 2007 e 2016, passando de 4,2% para 7,9%. “Desconheço qualquer outro segmento da economia que tenha dobrado a participação na arrecadação. Quando o Simples foi criado, houve muita gente alegando que os governos iriam perder receita. Hoje, temos a prova de que quanto mais simplificamos e diminuímos a carga tributária, mais arrecada-se e formaliza-se”, destaca o presidente do Sebrae. Em 2008, o Simples arrecadou R$ 41 bilhões, já no ano passado esse valor saltou para R$ 73 bilhões.

Afif também fala que o as micro e pequenas empresas que estão no Simples Nacional são as que mais contratam. Entre os anos de 2010 e 2015, 63% das novas contratações com carteira assinada foram feitas por esse segmento de empresas, ou seja, dos 3 milhões de novos empregos, 1,9 milhão foram de negócios que estão nesse regime de tributação.

Simples Nacional
Simples Nacional surgiu com a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, aprovada em 2006, e entrou em vigor em julho de 2007. Esse sistema tributário é um regime compartilhado (União, estados e municípios) de arrecadação, cobrança e fiscalização de tributos, destinado às micro e pequenas empresas, que pagam em um único boleto oito impostos: ICMS, ISS, Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, IPI, Contribuição Social de Lucro Líquido (CSLL), Cofins, PIS/PASEP e a Contribuição Patronal Previdenciária.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

Pequenos batalhadores, grandes heróis

16-10-2017

Recentemente, a prestigiada revista inglesa “The Economist” publicou na capa a imagem de um buraco negro, em alusão à crise que pegou muitos países emergentes, inclusive o Brasil, com a seguinte frase bem no olho da tormenta: “Be afraid”. Tenha medo, literalmente. Devemos continuar temerosos ou já podemos acreditar que há uma luz no fim do túnel?

Não se pode dizer que o Brasil resistiu ao turbilhão incólume, sem ao menos sentir um friozinho na barriga. Até porque, a crise chegou por aqui em dose dupla, economia e política num abraço de afogados. Justiça se faça: a capacidade de reação vem surpreendendo muita gente.

Sinais de recuperação surgem no horizonte, respaldados por dados que tornam possível acreditar na retomada do crescimento. Exemplo: de janeiro a agosto, 327 mil vagas formais foram criadas por pequenos empreendedores, como informa o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

Em bom português: os donos dos pequenos negócios estão reagindo, confirmando a minha aposta neste segmento. Não precisamos continuar tão temerosos. Do not be afraid. Mas seu protagonismo exige mais que boas intenções dos agentes públicos. Agora, é necessário, vital até, desburocratizar e ampliar o crédito. Se os primeiros sinais de recuperação aparecem nas vagas formais de trabalho geradas por pequenos negócios, é para estes que o governo deve direcionar suas melhores iniciativas e ações.Desburocratizar procedimentos de forma geral, para minar essa doença que se espalhou como praga na administração pública. E desobstruir os canais para que o crédito — aquele bom e bem orientado — se torne viável para o setor.

Nossas micro e pequenas empresas representam 98,5% do total de empreendedoresdo país, gerando mais da metade dos empregos e representando mais de 27% do PIB. Entretanto, pasme-se, mais de 80% dos donos de pequenos negócios não têm qualquer acesso a crédito.

Para corrigir essa injustiça, o Sebrae está trabalhando junto ao BNDES no sentido de estender suas linhas de crédito a empreendedores de perfil mais modesto. Além disso, mantém, há 22 anos, o Fundo de Aval, o Fampe, no qual o Sebrae entra como avalista na operação, em parceria com a instituição financeira. Em breve, o Portal do Empreendedor trará novidades sobre direitos e deveres, projetos e orientações para quem busca a formalização. São iniciativas assim que precisam ser multiplicadas e facilitadas para fortalecer cada vez mais o empreendedorismo no Brasil.

A propósito, este mês o Sebrae completa 45 anos, e no último dia 5 comemorou-se o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. Mas a data não pode ficar no plano da mera efeméride. É costume dizer que o povo brasileiro é carente de heróis, reflexo da singular formação política do nosso país. Entretanto, ao olharmos o pequeno empreendedor no seu dia a dia, tendo que superar obstáculos em meio a condições tão adversas, é difícil não associar a sua figura a de um herói batalhador. Anônimo, mas herói.

Fica a sugestão.

Guilherme Aff Domingos é presidente nacional do Sebrae

Fonte: Artigo Jornal O Globo

Sebrae quer linha de crédito do BNDES exclusiva para MEIs

20-09-2017

Apesar do aumento da formalização com microempreendedores individuais (MEIs), o acesso ao crédito é uma barreira para que os pequenos negócios se desenvolvam. A avaliação é do presidente do Serviço do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Guilherme Afif. A instituição negocia a criação de um modelo de microcrédito com recursos do BNDES, a ser implantado ainda este ano.

O acesso ao crédito foi o segundo problema mais relatado dentre os MEIs, de acordo com levantamento do Sebrae sobre o perfil do empreendedor no país, atrás da dificuldade em conquistar clientes.

A pesquisa mostra que a quantidade dos que procuraram crédito é baixa, cerca de um em cada cinco. Mas, dentre os que o buscaram empréstimo, 45% relataram não ter conseguido aprovação.

Segundo Afif, a instituição discute um modelo de distribuição de cerca de 5 bilhões de reais em empréstimos com recursos do BNDES para os MEIs. A proposta em análise prevê que os microempreendedores individuais tenham acesso a empréstimos de 15.000 reais ou 20.000 reais, repassados através de empresas financeiras virtuais – as fintechs. “Os bancos grandes são grandes demais para emprestar para os pequenos”, avalia.

O papel do Sebrae seria orientar os MEIs sobre como usar o recurso. O contato seria feito através do portal para micro empreendedores da instituição, que hoje dá acesso a serviços como emissão de guia de impostos e alterar dados cadastrais. A necessidade de capacitação em controles financeiros foi citada por 53% dos entrevistados na pesquisa do Sebrae, e 52% veem necessidade de auxílio de orientação para o crédito ou financiamento.

Perfil
O levantamento mostra que o número de microempreendedores individuais cresceu 761% nos últimos seis anos, chegando a 6,649 milhões em dezembro de 2016. Entre 2015 e 2016, o aumento foi de 969 mil. A expectativa é de que, devido ao grande número de trabalhadores informais no país, o crescimento seja da ordem de 1 milhão de novos registros por ano nos próximos cinco anos.

Sebrae avalia que o perfil é diversificado no país em termos de renda, escolaridade e distribuição geográfica. Afif destaca que um ponto em comum é o amplo acesso a celulares, que foi o motivo de a instituição priorizar o atendimento a esse público através do portal.

A lei que cria o sistema de microempreendedores individuais é de 2008. O sistema busca a criação de empresas formais de forma simples, com CNPJ, com faturamento anual de até 60.000 reais. O limite passará a 81.000 no ano que vem. Na prática, isso significa que mais microempresas – que são outra categoria – poderão se enquadrar no MEI, que tem impostos menores e menos exigências legais.

Fonte: Veja.com

É preciso colocar o Brasil real próximo do Brasil legal

20-09-2017

O presidente do Sebrae Nacional esteve em Santa Catarina para uma Audiência Pública sobre o Projeto de Lei Complementar (PLC) 341/2017, que altera o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. O PLC foi apresentando por um catarinense, o deputado federal Jorginho Mello (PR), presidente da Frente da Micro e Pequena Empresa do Congresso Nacional e com quem Afif Domingos mantém conversas constantes para buscar soluções legais que possam incentivar e proteger o empreendedorismo. A Coluna Pelo Estado obteve uma entrevista exclusiva com o líder empresarial, que preside o Sebrae desde outubro de 2015. Ele também foi ministro-chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República (maio de 2013 a setembro de 2015), período em que patrocinou uma das mais profundas revisões do Simples, viabilizando a sua universalização para os pequenos negócios de todas as atividades. Antes disso, no Conselho Deliberativo do Sebrae (1990 a 1994), foi o responsável pela mobilização que resultou na criação do próprio Simples e no novo Estatuto das Micro e Pequenas EmpresasAfif já concorreu à presidência da República, em 1989, quando obteve 3,2 milhões de votos. Questionado se vai se candidatar em 2018, respondeu: “Tudo depende das oportunidades”.

[Pelo Estado] – O Sebrae está completando 45 anos em 2017. Em que cenário o serviço surgiu e que dimensão tem hoje? Afif Domingos – Bem, o Se-brae surgiu há 45 anos na onda dos bancos de desenvolvimento. Existia um sistema pelo ministério do Planejamento, que tinha o “BNDE”, sem o “S” ainda, corno banco de desenvolvimento e os bancos estatuais de desenvolvimento. Cada estado tinha um que compunha este núcleo de investimento de longo prazo para as empresas. Como as pequenas tinham dificuldades de ter acesso a este sistema, o Sebrae foi criado como autarquia para facilitar que as micro, pequenas e médias empresas pudessem ter um crédito orientado, um crédito assistido para poder ter projetos que chegassem ao banco com dimensão de desenvolvimento.

Depois, nos anos 1990, é que se deu urna estrutura mais dinâmica ao Sebrae, transformando-o em serviço social autônomo com arrecadação garantida, própria, por meio das contribuições sociais e que deveria continuar com sua missão anterior, que era exatamente orientar as pequenas empresas no seu processo de desenvolvimento e de acesso ao crédito. O problema é que, destes tempos para cá, crédito foi urna coisa que não aconteceu para as micro e pequenas empresas até porque o sistema de bancos de desenvolvimento praticamente desapareceu, ficando o BNDES no seu papel de oferecer recursos para os campeões nacionais, sem conseguir chegar ao universo dos pequenos. Agora é que nós estamos retomando esta missão e esperamos que junto com o próprio BNDES, seus agentes de desenvolvimento e de distribuição de recursos, nós possamos cumprir esta missão histórica de 45 anos atrás.

[PE] – Há alguma negociação com o BNDES para abrir linhas voltadas para esses empreendimentos?
Afif– Sim, agora, com a nova gestão, do doutor Paulo Rabelo de Castro, com quem temos ótima relação, e depois dos escândalos dos gigantes (grandes empresas), o BNDES finalmente entendeu que é hora de abrir linhas de crédito para os micro e pequenos empreendimentos. Mas, para isso, nós temos de furar o bloqueio dos bancos que, por serem grandes demais, têm tido dificuldades em emprestar recursos para os pequenos empresários. Atualmente, 83% das empresas de pequeno porte não têm acesso a nenhuma linha de crédito.

[PE] – Qual a importância desse segmento, hoje, para a economia brasileira?
Afif– Simplesmente ele representa 98% do número de empresas existentes no país, 52% dos empregos e 27% do PIB nacional. Mas, nos últimos 10 anos, quem gerou 10 milhões de vagas no mercado foram as micro e pequenas empresas, enquanto as grandes empresas desempregaram 1 milhão e meio de pessoas, porque o desemprego estrutural atinge exatamente as grandes, que hoje usam moderna tecnologia e automação para substituir mão de obra. A pequena empresa é a que continua intensiva de mão de obra.

[PE] – O que o senhor destaca como mais importante do PLC 341/2017
Afif– A 341 é urna lei viva, que vem sendo aperfeiçoada. E estamos nessa cruzada de aperfeiçoamento porque a última modificação entra em vigor em janeiro de 2018, que é o Crescer sem Medo. Eu destaco a criação da Empresa Simples de Crédito, que é o crédito lá no município, à disposição do pequeno empresário, do cidadão que quer emprestar para ele diretamente, sem intermediação. O segundo ponto é a correção automática das tabelas de enquadramento do Simples porque passa ano, vem ano, chega a inflação come o seu limite e ela passa a pagar mais imposto, não porque cresceu e sim porque a inflação assim gerou esta necessidade. Acredito na firme intenção de se apressar a votação, porque isso significa promover a geração de emprego e renda. Aliás, não existe política social sem emprego e renda.

[PE] – A Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas
Empresas tem força política para convencer o governo da importância desses avanços? Afif– Eu quero lembrar que todas as modificações que têm sido feitas na legislação nascem do Legislativo e têm sido aprovadas por unanimidade. E eu não tenho medo de afirmar que nós, infelizmente, acabamos tendo de enfrentar o Executivo em todas as modificações, porque a visão da área econômica do governo é, em primeiro lugar, olhar as grandes empresas e, em segundo, olhar a arrecadação. E insiste em dizer que o Simples é uma renúncia fiscal, o que é uma grande heresia, porque o Simples é, na verdade, um regime constitucional especial.

[PE] – De que forma as mudanças propostas vão impactar o segmento atendido pelo Sebrae?
Afif– Sem dúvida, com o Crescer Sem Medo, e com as tabelas corrigidas, nós vamos ter um imposto mais justo para quem quer crescer. Por isso, o nome do programa.

[PE] – A política econômica brasileira em algum momento já deu atenção às empresas de pequeno porte? O que precisa mudar?
Afif– Olha, a política que nasce das áreas econômicas não dá atenção às empresas de pequeno porte. Eles olham aqueles que são os grandes recolhedores de tributo. E, se
possível, os protege concorrencialmente para “comer” os pequenos. Um exemplo disso é a própria substituição tributária, um instrumento que veio para poder dar uma puxada de tapete no Simples, quando ele foi criado. Mas devo dizer que muitos dos nossos avanços foram apoiados por pessoas do governo, tanto na presidência da República como em outras áreas, mas sempre em confronto com a área econômica porque ela nunca quis olhar a pequena empresa como importante pro desenvolvimento do país. E preciso colocar o Brasil real próximo do Brasil legal.

[PE] – Como o senhor avalia o momento atual do pais?
Afif– Estamos passando por urna catarse, o que é muito bom. Quanto mais coisas aflorarem, mais vai mostrar como eram os subterrâneos da política do Brasil. Isso tem que ser depurado mais e mais. Esse é o caminho da mudança e da renovação. Se não vier no curto, virá no médio prazo, até porque a própria população fará os ajustes a cada eleição.

[PE] – O senhor tem planos de se candidatar em 2018?
Afif– Por enquanto continuo trabalhando na micro e pequena empresa. Tudo depende das oportunidades, mas nós ainda não as enxergamos. Além disso, ainda sequer foram votadas as modificações da Lei Eleitoral.

Fonte: Jornal Hora do Sul – SC

Política e voluntariado

15-09-2017

Se existe uma palavra, nos dias de hoje, que provoca todo tipo de sentimento negativo na maioria das pessoas, este termo é “política”. A sucessão de escândalos recentes aumentou a distância entre nação e Estado, fazendo as pessoas se desconectarem do mundo político e, este, das pessoas.

O ponto alto aconteceu durante as manifestações de rua de 2013, em que milhões de pessoas disseram aos representantes que os eleitores não se sentiam mais representados.

A causa disso está na falência do sistema político. A saída passa por novas práticas e pela reformulação eleitoral-partidária. A reforma política, do jeito que está sendo conduzida, parece que não vai chegar à essência do problema: a reconexão entre representantes e representados. Se não chegar, por onde devemos começar? Pela base. E onde isso ocorre? Nas cidades…

O vereador é um agente político numeroso -são quase 58 mil. É ele que deveria fazer as primeiras ligações de sua comunidade com as prefeituras e fiscalizar o Executivo municipal. E sabemos que nem sempre é assim.

Por sorte, a sociedade civil continua organizada. ONGs, entidades, sindicatos, movimentos sociais perceberam a necessidade urgente de mudanças.

Surgiram estudos, como o patrocinado pela CACB (Confederação das Associações Comerciais e Empresariais), com o apoio técnico do Sebrae, sobre os gastos de prefeituras com os Legislativos municipais.

As conclusões foram assustadoras. Do total de 5.569 municípios, somente 3.762 (ou 68%) informam ao governo federal como pagam as despesas com as Câmaras de Vereadores. Ou seja, 1.807 (32%) simplesmente não apresentaram os valores das receitas de 2016 ou de 2015.

Exatos 707 gastam mais a título de despesas legislativas do que conseguem gerar de receitas próprias; 218 gastam mais de 80% do que arrecadam com as Câmaras Municipais. Gastos com vereadores, tomando-se por base a amostra selecionada, representam em média 38,7% das despesas legislativas. E chegam a superar 59% nos municípios com até 50 mil habitantes.

As despesas legislativas municipais têm os limites estabelecidos pela Constituição (art. 29-a), que é de até 7%; caso esses percentuais fossem aplicados exclusivamente às receitas próprias dos municípios, seria feita uma economia anual de R$ 7,662 bilhões.

Levando em conta as mais de 5.500 cidades, a economia potencial é superior a R$ 10 bilhões, dinheiro que poderia ser usado em escolas e hospitais.

A legislação não impede que os vereadores exerçam, simultaneamente, sua profissão. Veda, apenas, a acumulação com o cargo público, mas somente quando houver incompatibilidade de horários, algo raro nos municípios menores, onde as Câmaras se reúnem quinzenalmente e quase sempre à noite.

Logo, quem é vereador não deveria depender apenas dos subsídios da Câmara para se manter. A saída pode estar no voluntariado, como já ocorreu no Brasil, quando vereadores, inspirados por ideais nobres de cidadania e senso comunitário, exerciam mandatos sem receber um tostão. Que seja assim novamente.

Municípios que não conseguirem bancar despesas legislativas com receitas próprias poderiam ter vereadores sem vencimentos.

O voluntário é um importante ator social e agente de transformação, que presta serviços não remunerados em benefício da comunidade. São milhões que estão nas entidades assistenciais, filantrópicas, religiosas, todos trabalhando gratuitamente, dedicando algumas de suas horas para suas causas.

A única área que não tem voluntariado é a política. Por quê? Esta é a grande reforma que nós devemos fazer no país porque, se o município é a miniatura da pátria, é de lá que nós devemos extrair o modelo para o restante do Brasil.

GUILHERME AFIF DOMINGOS, 73, é presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas)

Fonte: Artigo Folha de São Paulo, 15/09/2017

As 10 ideias de negócio mais procuradas pelos brasileiros

12-09-2017

São Paulo – Se você pudesse empreender, em qual tipo de empresa investiria? Para a maioria dos brasileiros, o sonho de empreender se materializa principalmente nas lojas virtuais. O e-commerce próprio é o grande preferido dos que buscam uma nova ideia de negócio.

O dado é do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A instituição divulgou com exclusividade a EXAME o balanço parcial do ano em número de acessos ao seu portal de Ideias de Negócios, que reúne mais de 450 tipos de empreendimentos.

Além de mostrarmos as dez ideias de negócio mais procuradas pelos brasileiros, cada item terá uma introdução dada pelo Sebrae sobre como é cada empreendimento. O material pode servir de inspiração para quem está se planejando para empreender em breve.

Uma dica já podemos dar: 2018 pode marcar o destaque do setor de serviços, como já podemos ver no ranking deste ano. Business Intelligence: Conheça a nova fonte de receita para prestadores de serviços, apresentada pela TOTVS Patrocinado 

“Em um momento de crise, quando não há tanta disponibilidade de crédito, o setor de Serviços demanda muito menos investimentos na abertura de um negócio”, afirma Guilherme Afif Domingos, presidente do Sebrae Nacional. “Quando o empresário vai montar um empreendimento e é o próprio prestador de serviço, são necessários poucos recursos: apenas um celular, caso você queira abrir uma empresa de consultoria, por exemplo.”

O presidente também cita uma pesquisa anterior da instituição, que elencou os ramos de alimentação, vestuário e conserto como as opções de muitos brasileiros. “O estudo, com base no perfil de novas empresas em anos anteriores e no comportamento da economia nacional, revela que os empreendimentos que atendem às necessidades básicas e que oferecem serviços de reparação, além de serviços especializados que permitem a redução de custos operacionais a outras empresas, estão entre as atividades mais promissoras para este ano.” Negócios: Veja com a Copastur as 10 maneiras de reduzir custos operacionais na empresa Patrocinado 

Confira, a seguir, a lista das ideias de negócio mais procuradas pelos brasileiros neste ano:

1 – Como montar uma loja virtual

Mulher empreendedora trabalha em computador

(Foto/Thinkstock)

“O conceito de loja virtual pode ser definido, de forma simplificada, como um site na internet com um software de gerenciamento de pedidos onde as empresas expõem e vendem seus produtos. Os clientes acessam o site de qualquer lugar, escolhem os produtos para aquisição, pagam através do sistema de pagamento que a loja virtual oferece e recebem estes produtos no local designado pelo comprador no ato da compra.”

Para Afif, do Sebrae, algumas características marcantes fazem das lojas virtuais a ideia de negócio mais buscada pelos brasileiros.

“Há algumas facilidades no comércio eletrônico em comparação com as lojas físicas, o que pode atrair empreendedores iniciantes. Pela internet, uma pequena empresa tem condições de fornecer seus produtos a qualquer região, fica aberta 24h por dia, e também tem a possibilidade de concorrer com uma grande rede sem a necessidade de ter muitas lojas físicas. Também é importante lembrar do crescente número de usuários brasileiros na internet, o que contribui para elevar a quantidade de potencias compradores”, afirma. Passo a passo:Saiba com a Tray como abrir seu próprio negócio online Patrocinado 

2 – Como montar um escritório de consultoria

jovens com celular e tablet

(Thinkstock/Thinkstock)

“Consultoria é um tipo de prestação de serviço que um profissional qualificado e conhecedor do assunto oferece ao mercado, realizando diagnósticos e elaborando processos com o propósito de levantar as necessidades do cliente, identificar soluções e recomendar ações. Com as informações levantadas o consultor desenvolve, implanta e viabiliza o projeto de acordo com a necessidade específica de cada cliente.

Consultoria Empresarial é uma atividade que tem como objetivo básico responder ou atender às necessidades das empresas ou pessoas físicas quando assim solicitada, por meio de aconselhamento ou sugestões de melhorias, embasado em firme e estruturado conhecimento. Empreendendo: A ContaAzul te conta o que faz uma empresa de consultoria ter sucesso Patrocinado 

(…) Sendo uma prestação de serviço, devemos lembrar que o mesmo é um ato ou desempenho essencialmente intangível, que vai ser oferecido para satisfazer um desejo ou necessidade sem a posse de um bem físico, sendo difícil de medir antes de se comprar. Por isso, devemos fazer com que o consumidor perceba os seus serviços como algo que irá contribuir de forma real para a solução de seus problemas, oferecendo-lhe qualidade no serviço prestado.”

3 – Como montar um food truck

Food truck

(Creative Commons/Flickr/Todd Lappin)

“Os food trucks, como são conhecidos os veículos estilizados e adaptados para produzir e servir refeições nas ruas, tornaram-se uma opção de negócio para quem pensa em investir no mercado da alimentação e gastronomia no Brasil.

(…) Carrinhos de churros, pipoca e cachorro quente, operados por ambulantes em regiões de grande movimento de pessoas são hoje parte da paisagem urbana.

(…) Alguns empreendedores Brasileiros com acesso a estas cidades também gostaram da ideia e trouxeram o conceito para o Brasil. O movimento por aqui ganhou força no início de 2014. Inicialmente, a cidade de São Paulo se destacou pelo pioneirismo nesse setor, com muitos empreendedores copiando o modelo de sucesso visto fora do país.

A iniciativa se repetiu em outros estados e hoje os food trucks podem ser encontrados no Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Salvador e Belo Horizonte entre outras cidades.

Para aumentar as chances de sucesso, o empreendedor deve realizar pesquisas de mercado e elaborar um plano de negócios.

4 – Como montar uma lanchonete

Bombas calóricas

Lanchonete (Foto/Thinkstock)

“A crescente demanda por tudo que envolve o ramo alimentício é um dos fatores que tornam a abertura de uma lanchonete um empreendimento com potencial de viabilidade. O ramo de alimentação é o segundo maior gasto do brasileiro, antecedido somente por gastos com habitação.

(…) Além da identificação de demanda potencial para o negócio, a atividade de lanchonete mostra-se vantajosa por não haver necessidade de determinação de público alvo específico e de consequentes ações diferenciadas para tais, já que se trata de um negócio bem aceito pela população de todas as regiões do país e de todas as classes sociais, dependendo do padrão do estabelecimento. Outra questão é a comodidade e praticidade que envolve o consumo nestes estabelecimentos, fatores que sustentam a demanda e fortificam as empresas do ramo.”

5 – Como montar uma distribuidora de bebidas

Seis drinks (bebidas) diferentes em balcão de bar

(marko123434/Thinkstock)

“O processo produtivo básico de uma indústria de bebidas envolve a fabricação, o engarrafamento e a distribuição do produto. No caso de um país de dimensões continentais como é o Brasil, a localização espacial das plantas industriais próximas ao mercado consumidor e a constituição de redes de distribuição com capacidade para alcançar as mais distantes localidades e enfrentar as limitações de trânsito de veículos dos centros urbanos são variáveis importantes e cruciais para a estratégia das grandes empresas de bebidas.

Outra peculiaridade marcante do setor é sua forte dependência do crescimento da renda da população, uma vez que o fator preço ainda é o principal determinante do consumo nesse mercado. Assim, mesmo que as empresas invistam em qualidade e fixação de marca, a competição é fortemente determinada pelo preço do produto final ao consumidor, o que torna o custo do frete um componente importante neste processo.”

6 – Como montar uma fornecedora de refeições em marmita

Prato da Lucco Fit

(Facebook/Divulgação)

“O crescimento das cidades e o costume de almoçar fora de casa fizeram com que as pessoas procurassem alternativas rápidas para se alimentar. No caso, as marmitas atendem esta demanda, pois oferecem praticidade e comodidade com a retirada da comida no local ou entrega em domicílio. O serviço também atende aquelas pessoas que não possuem tempo para se deslocar e almoçar em um restaurante convencional.

Sabor e praticidade são ingredientes básicos para o negócio. Outro fator de atratividade da refeição pronta é o seu baixo preço, em relação a um restaurante self service por quilo, buffet ou à la carte. O prato já vem montado, com uma quantidade padrão de comida. Isso faz com que o custo da refeição seja menor, reduzindo o preço final do produto. Apesar do baixo preço, os clientes exigem boa qualidade nos ingredientes e um eficiente serviço de entrega.

(…) A atividade exige do empreendedor um bom conhecimento do ramo e disposição para pesquisar novas receitas. Virtudes como capacidade de atendimento a clientes, negociação com fornecedores e gerenciamento de equipe também são necessárias para desenvolvimento do negócio.”

7 – Como montar um salão de beleza

Anvisa proíbe venda de óleo de Argan e quatro lotes de tinta para cabelo. Crédito: Ivanko Brnjakovic/Thinkstock's

(Ivanko Brnjakovic/Thinkstock’s/Thinkstock)

“Um salão de beleza é um lugar onde são desenvolvidos vários serviços relacionados à beleza e ao bem estar. Entre esses serviços podemos listar os relacionados aos cabelos (cortes, alisamento, shampoo, tintura, hidratação, escova etc.), manicure, pedicure, maquiagem, depilação, design de sobrancelhas e massagem. Existem salões para os mais variados tipos de públicos: masculino, feminino, unissex, infantil e outros.

É necessário definir o estilo do salão que vai depender do público-alvo. Uma clientela mais selecionada (de alto poder aquisitivo), por exemplo, vai exigir um serviço luxuoso, com um vasto leque de serviços, espaços requintados e um exército de funcionários para um atendimento perfeito. Um público com tempo escasso exige um conceito mais simples, contudo sempre optando pela qualidade dos serviços.

(…) Um salão de beleza é um negócio que exige desempenho profissional de alto nível e sintonizado com as tendências definidas pelos padrões mundiais, uma vez que a facilidade de comunicação quebrou definitivamente as barreiras regionais. Cursos profissionalizantes, de nível técnico ou superior, surgem a cada dia, criando novos padrões de desempenho e especializando os serviços. Informe-se e procure manter sua equipe capacitada e antenada com as novidades do mercado.”

8 – Como montar uma loja de cosméticos e perfumaria

Mulher prova batom em loja de cosméticos (beleza, maquiagem)

(Foto/Thinkstock)

“O termo cosmético designa substâncias de origens diversas, usadas sobre a pele e cabelo para limpar, suavizar, encobrir imperfeições e embelezar. Embora não seja um fenômeno recente, o culto à beleza, à juventude e à saúde é uma forte tendência dos hábitos e costumes modernos.

(…) O resultado de tudo isso tem sido o contínuo crescimento da indústria mundial de cosméticos e do mercado de embelezamento.

(…) Uma característica do setor de cosméticos é a constante inovação. Para cumprir esse objetivo, as indústrias do setor investem anualmente grandes somas de recursos em lançamentos e promoções de novos produtos. Procure destacar-se com promoções e produtos de qualidade, que atendam realmente às necessidades de seu público-alvo.

Certifique-se da origem e conformidade dos produtos adquiridos (produtos, fabricante, distribuidores, rótulos, embalagens etc.) com a legislação vigente, exigindo e verificando os registros sanitários pertinentes.”

9 – Como montar uma distribuidora de botijão de gás

Botijões de gás

(Foto/Thinkstock)

“Atualmente, o mercado de distribuição de botijão de gás conta com uma ampla rede que se conjugam em 20 distribuidoras que possuem 181 bases de distribuição de GLP autorizadas pela ANP e 66,4 mil revendedores ativos, trocando 100 milhões de botijões, atendendo 42 milhões de lares e gerando 350 mil empregos diretos e indiretos. Esta rede abrange 100% do território nacional e garante o abastecimento de 95% dos domicílios. Trata-se de capilaridade e penetração nos lares superior aos serviços de energia elétrica e água encanada.

(…) Mesmo assim, existe um bom espaço para o surgimento de distribuidores de pequeno porte, desde que o empreendedor obtenha uma vinculação à marca de distribuição consolidada no mercado nacional. Desta forma, deve-se buscar a viabilidade de abrir uma distribuidora que atue com venda direta aos consumidores e com fornecimento para pequenos revendedores. A opção pelo gás em botijão tem apresentado crescimento contínuo em todas as camadas sociais.

(…) Devido ao risco intrínseco ao negócio, recomenda-se a realização de ações de pesquisa de mercado para avaliar a demanda e a concorrência.”

10 – Como montar um bar

Drinks com bebidas da Diageo durante o United States Bartenders, em Nova York

(GettyImages)

“O bar é um negócio que oferece um ambiente agradável onde os amigos se encontram, conversam, tomam bebidas geladas ou quentes, acompanhadas de petiscos. Está presente em todas as cidades e em todos os lugares, mudando suas características de acordo com os hábitos e cultura do local.

O bar atua como ambiente social integrador, tornando-se ponto de referência e algumas vezes conhecido por seus clientes famosos ou personalidades, bem como por seu cardápio ou especialidades gastronômicas.

Cada vez mais atrativos são oferecidos pelo bar: a beleza do ambiente e da decoração, o som, o prazer de ter pessoas agradáveis com quem conversar, a possibilidade de descontração, música, jogos etc.

(…) O serviço prestado por um bar deverá ser concebido com visão profissional, o que irá requerer uma avaliação objetiva sobre a forma de atuação, público-alvo, localização, cardápio de comidas e bebidas a serem oferecidas, bem como as expectativas comerciais que esse tipo de empreendimento requer.”

Fonte: Revista Exame

 

Produtor rural está conectado à tecnologia da informação

26-07-2017

O universo do agronegócio no Brasil tem vivido uma ampla e profunda transformação nas últimas décadas. Cada vez mais distante dos velhos estereótipos, o pequeno produtor rural está se modernizando, incorporando novas tecnologias e mudando o modo de gerenciar os rumos do seu negócio. É isso o que revela uma pesquisa inédita realizada pelo Sebrae. Quase a totalidade dos produtores rurais (96%) usa telefones celulares e uma quantidade significativa deles utiliza smartphones para acessar a Internet.

A pesquisa “Tecnologia da Informação no Agronegócio” identificou que 71% dos donos de microempresas rurais e 85% dos proprietários de empresas de pequeno porte no campo, usam smartphones para acessar a web. Esse resultado é expressivo se for considerado que o acesso médio da população brasileira à Internet por meio de aparelhos celulares é de 62% (segundo o Google Consumer Barometer).

Para o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, a pesquisa confirma a necessidade de investimentos no meio rural, de modo a aumentar o acesso dos produtores às Tecnologias da Informação. “No mundo atual, onde o pequeno produtor precisa agregar valor ao seu trabalho e se diferenciar do restante do mercado, o acesso aos instrumentos digitais é algo fundamental para a conquista de novos públicos consumidores e para elevar o nível de competitividade do negócio”, comenta Afif.

A pesquisa do Sebrae ouviu 4.467 produtores rurais, entre 29 de março e 12 de abril, nas 27 unidades da Federação. Os dados revelaram que os produtores fazem uso restrito da Internet, seja para transações comerciais ou para divulgação, em grande parte por conta da dificuldade de acesso ou da má qualidade da conexão: 6% dos produtores já fizeram alguma compra pela Internet, 4% já usaram a Web para efetuar vendas e 16% dos empreendimentos rurais possuem página na Internet ou perfil nas Redes Sociais.

Quanto ao tema da gestão, apesar de 70% dos empreendedores já praticarem o gerenciamento administrativo e financeiro dos seus negócios rurais, apenas ¼ dos produtores fazem isso por meio de ferramentas digitais de gestão. Entretanto, a maior parte deles (64% dos entrevistados) informou que utilizariam esses recursos para gerenciar suas empresas se eles estivessem disponíveis.

Segundo a pesquisa do Sebrae, 58% dos empresários rurais que informaram não utilizar a conexão de internet móvel dizem que não o fazem, predominantemente, porque não há provedor/sinal em sua região. A dificuldade de acesso também foi a justificativa apresentada pela maioria dos produtores (64%) que não usam tecnologias digitais para a gestão do negócio. “Garantir o acesso dos pequenos produtores rurais à Internet é, não somente, assegurar um direito, mas também uma forma de atrair os jovens de volta para o campo e aumentar a renda desses empreendimentos por meio dos ganhos diretos e indiretos proporcionados pelo uso dessas tecnologias”, destaca o presidente do Sebrae.

Fonte: Revista PEGN

Flexibilidade trabalhista facilita crescimento de micro e pequenas empresas

26-07-2017

Quando a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) foi decretada, em 1º de maio de 1943, pelo então presidente Getúlio Vargas, não se limitou a unificar a legislação esparsa existente, como também introduziu diversas normas que ampliavam as exigências a serem observadas pelos empregadores em favor dos trabalhadores –até então chamados de operários.

Apesar de sua inspiração intervencionista, a medida representou importante avanço nas relações do trabalho. O Brasil era ainda uma economia predominantemente agrícola, mas que já desenvolvia uma industrialização, embora incipiente, liderada principalmente pelos imigrantes.

Ao longo de mais de 70 anos de vigência, muitas modificações foram feitas no texto da CLT, no geral acrescentando novas obrigações para as empresas ou regulando atividades específicas. Poucas, no entanto, foram as que representaram modernização ou adaptação às novas realidades socioeconômicas do país.

Enquanto a economia brasileira estava fechada, os novos encargos que foram sendo acrescentados sobre a folha de pagamentos eram transferidos ao consumidor brasileiro, que não tinha alternativas. A concorrência entre as empresas era apenas interna, fato que desestimulava a produtividade e a inovação.

Com a abertura da economia, embora muito limitada, tanto os custos trabalhistas como o excesso de regras e obrigações passaram a ser um componente importante para a competitividade interna e externa das empresas, principalmente por serem agravados, em muitos casos, por decisões da Justiça Trabalhista –que não apenas oneram a produção, como criam passivos trabalhistas imprevistos.

Exemplo dessas decisões é a interpretação do TST (Tribunal Superior do Trabalho) de que a empresa não pode terceirizar “atividade-fim”, conceito altamente subjetivo no atual nível de tecnologia e integração das cadeias produtivas. Destaque-se que era possível “terceirizar” tais atividades na China ou em outros países, como ocorreu com inúmeros produtos, alguns inclusive dos quais o Brasil era tradicional exportador. A “atividade-fim” de uma empresa é atender a uma necessidade ou desejo de seu cliente, seja pessoa jurídica ou física.

As mudanças aprovadas pelo Congresso na CLT não representam uma “reforma” mas apenas a adequação de algumas de suas regras às novas realidades da economia, que sofreu profundas transformações, em função da abertura comercial, das novas tecnologias, dos novos métodos de comercialização e, inclusive, do tipo de trabalho exercido atualmente. Considerar “imexível” uma legislação de mais de 70 anos é ignorar a realidade.

Pode-se discutir algum detalhe do que foi aprovado pelos congressistas, mas somente a experiência poderá determinar a necessidade de eventuais ajustes, especialmente porque estamos vivendo um período de grandes transformações derivadas não apenas da tecnologia, como da ascensão de uma juventude que ingressa no mercado, como empresários ou como trabalhadores, com novos valores e forma de encarar o trabalho. É preciso existir flexibilidade para que a inovação, tanto na tecnologia como nas relações do trabalho, não sejam inviabilizadas, prejudicando a modernização do Brasil.

Para as micro e pequenas empresas as medidas aprovadas são positivas pois quanto mais flexíveis as regras, melhores são as condições para seu crescimento e desenvolvimento. A cada dia surgem novas modalidades de empreendimentos de pequeno porte ocupando espaços antes privativos de grandes empresas.

Não se pode esperar que a simples flexibilização das regras trabalhistas possa propiciar a expansão do emprego. Mas, seguramente, essas alterações podem ajudar a retomada da economia, com reflexos positivos sobre o mercado de trabalho.

Um dos pontos das medidas aprovadas que provavelmente despertou maiores reações, não se referia as relações entre empresas e trabalhador, embora as afete indiretamente, que é o fim da contribuição sindical obrigatória. Acredito que essa medida será positiva para os próprios sindicatos, pois aqueles que prestam efetivos serviços a seus filiados terão condições de se manter, e poderão pôr fim à proliferação indiscriminada de novos sindicatos. Talvez essa medida seja o embrião de uma reforma sindical que possa modernizar a representação dos trabalhadores e empregadores com benefícios para todos.

Fonte: Poder 360

Quer emprego e trabalho? Crie o seu

25-07-2017

Está na Constituição, no art. 170, parágrafo 1º: “É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei”. Portanto, a Constituição diz que a liberdade é regra, e a regulamentação é exceção. Em nosso país, invertemos o conceito. Cumprindo outro dispositivo constitucional, que manda dar tratamento diferenciado para as micro e pequenas empresas, e diante da necessidade de descomplicar o sistema tributário, foi que surgia, há 20 anos o Simples e, há 10 anos, o Simples Nacional, este um regime de administração compartilhada da arrecadação, cobrança e fiscalização dos tributos devidos pelas empresas de pequeno porte.

Esse regime foi essencial para o aumento do empreendedorismo no Brasil. A desburocratização e a redução da carga tributária estimularam a formalização de empreendimentos que já existiam e fizeram com que o brasileiro pudesse tornar realidade o sonho de ser dono do próprio negócio. O Simples se constituiu a esperança dos que querem empreender. Mas, assim mesmo, eles são massacrados com excessos de regulamentação e de regras para pagar imposto. O que seria a liberdade é anulado por uma burocracia paralisante do processo.

Mas o que tudo isso que estamos falando aqui tem a ver com geração de empregos? Tudo, simplesmente. Afinal, são as pequenas empresas que estão mantendo, nestes meses de 2017, um saldo positivo de geração de empregos. Desde o início do ano, o segmento criou 211,2 mil postos de trabalho, enquanto as médias e grandes fecharam 162,2 mil. Mas há outro problema a ser considerado. A crise econômica gerou desemprego conjuntural, que é recuperável. É bom lembrar, também, que a tecnologia trouxe um desemprego que é difícil de enfrentar. A indústria, hoje, substitui mão de obra, em busca de eficiência e redução de custos. Existe o processo de robotização, por exemplo. A alternativa para melhorar a empregabilidade é o empreendedorismo, a grande saída para a geração de emprego e renda. Entre os anos de 2010 e 2015, as empresas optantes do Simples contrataram quase o dobro de trabalhadores que as empresas que não estão no Simples.

De cada três novos empregos com carteira, dois foram criados pelas empresas optantes. Além disso, há outra vantagem: o crescimento arrecadatório do Simples é 10 vezes superior ao crescimento das receitas federais. E o regime especial apresenta melhor desempenho que os impostos tradicionais da Receita Federal. A participação da arrecadação do Simples Nacional na arrecadação total dos tributos federais dobrou, na última década, passando de 4% para 8% de todo o valor dos impostos arrecadados pelo governo federal. Entre 2008 e 2016, a arrecadação total anual do Simples Nacional cresceu 77%, passando de R$ 41 bilhões para R$ 73 bilhões. Isso implica importante redistribuição de impostos na direção de estados e municípios, uma vez que a arrecadação total do Simples é partilhada automaticamente com todas as entidades federativas.

Outra boa notícia. A “mortalidade” está caindo para as empresas optantes do Simples, que têm duas vezes mais chances de sobreviver após dois anos de abertura do negócio que as não optantes. De acordo com estudo do Sebrae, de 2009 a 2016, as empresas de pequeno porte cresceram 7,2% ao ano, enquanto as microempresas registraram crescimento de 6,1% ao ano. A expectativa é de que, até 2022, existam 17,7 milhões de negócios.

Na linha da criação de trabalho, o Simples Nacional possibilitou aumento representativo da formalização de empresas. De acordo com estudo do Sebrae, de 2009 a 2016, as empresas de pequeno porte cresceram 7,2% ao ano, enquanto as microempresas registraram crescimento de 6,1% ao ano. Entre 2007 e 2016, 9,1 milhões de empresas foram criadas, alta de 364%. Ainda de acordo com o levantamento do Sebrae, 2/3 das empresas optantes enfrentariam sérias consequências se o Simples Nacional acabasse: 29% fechariam, 20% iriam para a informalidade e 18% reduziriam as atividades.

É preciso combater o verdadeiro cipoal tributário existente no sistema. A racionalização dos impostos trazida pelo Simples Nacional tem contribuído, significativamente, para a redução das obrigações acessórias, diminuindo o custo Brasil e melhorando o ambiente de negócios. Os desafios ainda são grandes, mas a experiência e os resultados dos 10 primeiros anos trazem força para que eventuais novos obstáculos sejam vencidos e novas vitórias sejam comemoradas. Portanto, o empreendedorismo tem sido a grande saída para aumentarmos o número de empregos porque, se queremos mais empregos, precisamos ter mais empresas. E, hoje, o empreendedorismo tem sido alternativa importante para muitos jovens que procuram trabalho, de preferência por conta própria. Por isso, nós orientamos: quer emprego, quer trabalho? Crie o seu.

Fonte: Correio Braziliense

“A economia quer avançar, mas o Estado atrapalha”, diz Afif Domingos

24-07-2017

A economia brasileira continua no fundo do poço porque os problemas políticos atrapalham o processo de recuperação, avalia o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Guilherme Afif Domingos. “A economia parou de andar para trás e agora está letárgica. Isso ocorre porque a política atrapalha a economia. A economia está pronta para avançar, quem atrapalha é o Estado”, afirma.

Para ele, a população brasileira decidiu romper com a classe política diante da corrupção e da falta de diálogo com o poder público e tem tentado empreender diante do aumento do desemprego. O político brasileiro entende como ninguém do assunto. Ele foi um dos idealizadores do Simples Nacional, regime tributário diferenciado para pequenas empresas. E agora luta para que o mesmo seja possível para micro empreendedores individuais.

A alta de impostos, avalia Domingos, foi a única alternativa encontrada pelo governo, que tem dificuldades para aprovar reformas. “Todos esses processos pressionam a economia. Onde eu vou buscar dinheiro? A velha forma de aumentar a arrecadação. Então percebe-se que o Estado não cabe em uma nação deste tamanho”, destaca. Para ele, o Legislativo precisa debater uma reforma política para acabar com o número de legendas de aluguel e reaproximar os eleitores dos políticos. “Temos uma ruptura entre nação e Estado. Não se comunicam, não representam”, alerta. Leia abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao Correio.

“Você tem as ações econômicas, mas elas dependem muito do respaldo político. E onde é que está o defeito? É na política. Temos falado muito em reforma previdenciária, muito em reforma trabalhista, e elas são importantes. Mas não falamos nada sobre reforma política, nada”

A crise econômica terminou?
A economia parou de andar para trás e agora está letárgica. Isso ocorre porque a política atrapalha a economia. A economia está pronta para avançar, quem atrapalha é o Estado.

O governo anunciou a alta nas alíquotas de PIS/Cofins. O Brasil
suporta mais aumento de imposto?

Qualquer aumento de tributo não corresponde ao aumento da arrecadação. Portanto, o governo esperava que, com o teto de gastos, o país tivesse condições de equilibrar as contas públicas, e isso influiria diretamente na taxa de juros. Com a taxa de juros em queda, teríamos um reaânimo da economia, no qual se consolidaria o aumento da arrecadação. Mas acontece que o aumento da arrecadação não aconteceu e os gastos previstos continuaram aumentando.

E os aumentos para os servidores que foram concedidos?
Todos esses processos pressionam a economia. Onde eu vou buscar dinheiro? A velha forma de aumentar a arrecadação. Então se percebe que o Estado não cabe em uma nação deste tamanho. O Estado não cabe na nação.

O governo também dá mau exemploo aumentar significativamente a liberação de emendas para garantir votos no Congresso para barrar denúncias contra o presidente Michel Temer?
Todo esse conjunto de ações demonstra que temos uma máquina pública que se retroalimenta. Se não temos uma política efetiva, uma guinada na condução do governo e uma estrutura política, o conflito com a sociedade não diminui. Falam em aumento de tributos para regular mercados, como seria o caso da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Entretanto, no Brasil, é uma medida meramente arrecadatória. Agora, quando se conversa com uma autoridade, ela vai dizer: ‘é o que nos resta fazer para não ter um vão nas contas públicas’. Esse buraco só seria coberto com mais endividamento ou com emissão de moeda, que é inflacionária.

Já está ocorrendo um descolamento entre economia e política? O empresariado continua apoiando esse governo? Como o senhor analisa essa situação?
A população não aguenta mais o noticiário político. A minha análise é que há uma saturação do assunto. Muitos pensam: ‘Quer saber do que mais? Vamos tocar a vida’. Temos sinais positivos na economia que independem do Estado, dependem do trabalho da nação. Então você pega mesmo, por exemplo, a agricultura, que tem um impacto claro positivo. Só que não é um impacto positivo nas metrópoles, mas vai olhar o interior. E esse entorno todo de agricultura, esse é o novo Brasil dos últimos 30 anos. Isso é o Brasil real. E esse Brasil real é um país que demonstra ter vitalidade. Por isso eu digo que temos o Estado atrapalhando a nação e esse choque causa esse desligamento de ‘vamos tocar a vida’.

E como se resolve essa situação?
Olha, você tem as ações econômicas, mas elas dependem muito do respaldo político. E onde é que está o defeito? É na política. Temos falado muito em reforma previdenciária, muito em reforma trabalhista, e elas são importantes. Mas não falamos nada sobre reforma política, nada.

A não ser mudanças no fundo partidário…
Mas aí é que está, esse é de interesse dos políticos. Temos uma ruptura entre nação e Estado. Não se comunicam, não representam.

Já houve essa ruptura?

Isso ocorre quando as pessoas não querem se envolver e decidem tocar a vida. Existe um certo desligamento no processo. Aí vem a história de ‘poxa vida, mas o governo e esses fatos?’. Eles olham e questionam: ‘por que vai trocar um pelo outro? Vai ficar tudo a mesma coisa’.
O senhor avalia que isso possa mudar com o pleito eleitoral no próximo ano?
Se não houver mudanças profundas nas regras, não.

Quais mudanças?
Devolver o poder para a sociedade na representação, por exemplo, o voto distrital.

Mas há quem diga que o voto distrital fortalece as grandes legendas…
Não sei por quê. O que tem de ser feita é a conexão entre o representante e o representado. Pois não existe conexão nenhuma. Se perguntar quem é o seu representante na Câmara dos Deputados, muitos não lembram nem em quem votaram. Pelo aspecto econômico, temos vitalidade. Os dados que temos mostram que o caminho da simplificação é a injeção na veia para o crescimento. Então, libera o povo. É ele que vai arrumar o caminho e vai arrumar um emprego. É exponencial o crescimento, a força do empreendedorismo. Quer emprego? Cria. E, para criar emprego, precisa criar empresa e esse processo está aí, crescimento exponencial.

Mesmo nestes anos de crise?

Claro. Temos criado um milhão de novos CNPJs por ano. É o maior programa de inclusão econômica e social do mundo. ‘Perdeu emprego? Tem que se virar’. Só que antes ele se virava na informalidade e agora pode se virar com CNPJ, pode emitir uma nota pelo programa Micro Empreendedor Individual (MEI). Quando percebemos que, em sete anos, criamos sete milhões, é o dobro da população do Uruguai. E isso é o crescimento do país aqui dentro. Essas coisas que nós temos que enxergar.

Mas os empreendedores estão pagando em dia?
Na verdade, esse processo está sendo melhor analisado porque, após criar o Portal do Empreendedor, a Receita Federal nunca mais olhou para ele e não interessa olhar porque não vai me pagar. Quer dizer, não tem interesse em arrecadar. Essa massa aí só dá trabalho. O que é o portal? O cara entra e nunca mais falam com ele. E ele reclama: “pô, se ninguém me cobrou…” Ele sabe que, se chegar perto, o Estado é corrosivo, maltrata. E quem está bancando isso somos nós, do Sebrae.

E a reforma tributária?
Estamos trabalhando nisso com a Receita. Uma proposta de preparação para uma reforma. É a padronização da nota fiscal eletrônica para estados e os municípios brasileiros.

Não existe um padrão para a nota fiscal eletrônica?
Cada ente da Federação faz a sua. Isso complica a vida do contribuinte que opera no Brasil inteiro, para cada estado, é um tipo de regra. Estamos promovendo isso, primeiro para os municípios. Padronizando as de todos os municípios e negociando com o Confaz para fazer a padronização de notas fiscais, não só para vendas interempresariais, mas também para o consumidor.

O senhor esteve recentemente com o presidente Temer, com o presidente do BNDES, Paulo Rabello, e o assessorespecial do presidente Gastão.
O Gastão é a pessoa indicada pelo Temer para coordenar no Palácio a reforma tributária com o Congresso.

Essa proposta vai para frente? Porque a gente tem ouvido que o presidente já se convenceu de que tem de passar a reforma tributária na frente da previdenciária.
Mas o presidente não fala da reforma tributária. Ele fala da simplificação tributária.

O governo tem legitimidade para fazer reformas?
Isso não é um problema de governo. Você tem um problema entre representantes e representados. Agora, se fizer reformas esperadas pela sociedade para poder produzir mais, acho que elas seriam avaliadas positivamente. Como foi a reforma trabalhista. Ninguém está contestando a legitimidade de quem votou na reforma trabalhista. Quem foi contra foram as centrais sindicais muito mais pelo interesse arrecadatório.

A reforma da Previdência deve ser aprovada?
Essa é difícil.

Isso só vai sair no outro governo?
Acredito que sim. Aí melhor representando a sociedade.

*Estagiária sob supervisão de Antonio Temóteo

Fonte: Correio Braziliense