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Juros e burocracia prejudicam acesso de pequenos negócios ao crédito

01-09-2017

São Paulo – Os principais entraves dos pequenos negócios para obtenção de crédito são a difícil acessibilidade aos serviços financeiros, taxa de juros alta (48%), falta de garantias reais (20%) e falta de avalista/fiador (16%). Segundo o estudo do Sebrae, apresentado nesta sexta-feira (1°), em seminário promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), 84% dos pequenos negócios não tomaram empréstimos nos últimos seis meses e quase a metade deles (49%) jamais conseguiu financiamento como pessoas jurídica. O levantamento mostrou ainda que, embora o BNDES seja o principal instrumento de concessão de crédito para as micro e pequenas, 80% deles jamais acessaram uma linha de financiamento do banco estatal de fomento.

De acordo com o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, a solução para esses entraves passa pelo crescimento das fintechs (startups que atuam no setor financeiro) e pela criação da Empresa Simples de Crédito (ESC), que devem aumentar a concorrência na concessão de empréstimos e facilitar crédito para os pequenos negócios no mercado brasileiro. Afif ressaltou que é necessário criar alternativas para enfrentar a grande concentração no sistema financeiro nacional, que acaba por estimular os spreads bancários. “Os bancos são grandes demais para atender os pequenos”, destacou o presidente do Sebrae, que presidiu o seminário “Crédito para icro e pequenas empresas”, promovido pela ACSP e pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), na capital paulista.

Afif destacou que a expansão das fintechs vai contribuir para reduzir um dos maiores problemas enfrentados pelos donos de pequenos negócios no relacionamento com o sistema bancário, que é o excesso de burocracia. “As fintechs estão para os bancos como o Airbnb para os hotéis e o Uber para os táxis”, disse, acrescentando que a regulamentação da ESC, inicialmente vetada pelo Banco Central após a aprovação da Lei do “Crescer Sem Medo”, mas que deve entrar em vigor em 2018, após negociações. A proposta tem como objetivo possibilitar que os cidadãos tenham permissão para emprestar recursos dentro da sua própria comunidade, estimulando o desenvolvimento local. “A ESC resgata o papel que foi desempenhado no passado pelas casas bancárias”, declarou.

O seminário em São Paulo teve como objetivo levar para os micro e pequenos empreendedores informações sobre crédito e estimular o debate sobre o tema, fundamental para o desenvolvimento de negócios no Brasil. O evento contou ainda com a participação do presidente da  ACSP e da Facesp, Alencar Burti; de João Manoel Pinho de Mello, secretário de Reformas Microeconômicas do Ministério da Fazenda; Iágaro Jung Martins, auditor fiscal e subsecretário de fiscalização da Receita Federal; Guilherme Castanho Franco Montoro, chefe do Departamento Regional Sul do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); Fernando Kalleder, diretor-presidente da Central de Registro de Direitos Creditórios (CRDC);  Marcel Solimeo, economista da ACSP;  Milton Luiz de Melo Santos, diretor-presidente da Desenvolve SP.

Alencar Burti, que abriu o seminário, enfatizou a importância de discussão do crédito para os pequenos negócios, que hoje são 98,5% de todas as empresas do país e as maiores geradoras de empregos. “É fundamental que as entidades se unam em defesa dos setores que têm menos poder político. E o Sebrae tem liderado a luta pelo acesso ao crédito para as pequenas e  micro empresas”, disse.

SEBRAE 45 ANOS

O Sebrae comemora este ano quatro décadas e meia de atuação em defesa dos pequenos negócios. As micro e pequenas empresas representam 98,5% do total de empreendedores no Brasil, respondem por 27% do Produto Interno Bruto (PIB) e geram mais da metade dos empregos no país. Formalização, inovação, redução da burocracia, ampliação do acesso ao crédito e melhoria do ambiente legal fazem parte do compromisso do Sebrae com os pequenos negócios. Conheça no portal Sebrae os números e a história do empreendedorismo no Brasil: https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

Para Afif, startups são solução contra a concentração do mercado financeiro

15-08-2017

O presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, participou hoje (15/8), na capital paulista, da Fintouch, conferência de fintechs, que são startups do setor financeiro.

Ele alertou para o risco da regulamentação dessas empresas; para Afif, isso comprometeria o seu desenvolvimento. “É o primeiro passo para impedir o crescimento das fintechs no País. As fintechs são uma ameaça ao mercado financeiro brasileiro, que é o mais concentrado do mundo; 84% do setor estão nas mãos de cinco instituições”, frisou ele.

O presidente do Sebrae disse que as fintechs são a solução para as MPEs por oferecerem crédito a custos menores do que os bancos. E que o Brasil enfrenta o momento máximo de queda dos empréstimos após a crise financeira e política nos últimos anos. “Quem financia os pequenos são os fornecedores. Eles não chegam aos bancos e, quando conseguem, é via pessoa física a taxas elevadas”, declarou Afif.

Ele criticou o patamar de spread (diferença de quanto o banco paga para captar e o quanto cobra para emprestar). “O problema não é o custo do crédito, mas o spread cobrado que, além de absurdo, demonstra o nível de concentração no País. Enquanto os Estados Unidos têm cerca de seis mil instituições de crédito, o Brasil conta apenas com cinco. As outras não contam. Para o Banco Central, é muito mais fácil regular cinco do que mil”, declarou Afif.

Em evento na Associação Comercial de São Paulo (ACSP) dia 14/8, o presidente do Sebrae aproveitou para cobrar de Paulo Rabello de Castro, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), liberação e facilitação de crédito para as MPEs. “O crédito não chega na ponta. É o que cobramos há tempo do BNDES pois 83% do universo de pequenas empresas não têm acesso ao sistema bancário e têm que se virar. Não podemos esquecer que elas representam 98% do universo de empresas no Brasil”, disse ele, na ocasião.